Doutores versus Arte


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Nos últimos anos os corredores do IFS – campus Lagarto - têm sido “pichados” por “grafiteiros” que no afã de deixarem as suas marcas, erroneamente, têm se utilizado das tintas do desrespeito aos colegas, leis, ética e moralidade.



Em posse de latas com o rótulo da democracia e que na verdade espalham o spray da anarquia – isso deveria ser considerado pirataria – pintam a ideia de que o único objetivo deles - os “grafiteiros” -  é causar poluição ao ambiente organizacional e transtorno à comunidade. Pois não tem sido poucas as vezes que temos largado nossos trabalhos e dedicado esforços na limpeza dos traços sem arte, sem ideologia e expressão de conceitos com que picham as paredes da instituição.
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Mas dizem que a verdadeira arte é aquela que muda não apenas o olhar do artista mas, principalmente, o de seus observadores. E teve que vir do céu um verdadeiro artista, que mesmo após completar cem anos de sua existência, ainda transcende a sua arte de compor e cantar a poesia do nordeste brasileiro.
Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, foi a inspiração de um grupo de jovens que com suas habilidades e muito talento se utilizaram da moderna, e ainda discriminada, arte do grafite, e presentearam o campus de Lagarto com um belíssimo painel pintado em um de seus corredores, além de outras pinturas.
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Na tarde de hoje, testemunhamos alunos, professores, pedagogos, visitantes e todos os que estiveram presentes, perplexos e felizes, enquanto tentavam descobrir o que seria aquilo, qual seria o resultado de todas aquelas latas sendo agitadas, o cheiro de tinta que os sprays deixavam no ar. E aqueles rapazes, quem eram eles?
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Graças a Deus eram “doutores” da arte, artistas sergipanos, convidados, que deixaram uma mensagem de “Sejam bem vindos”,  que, aliás, parece cantar com uma linguagem própria, um verso de paz, nas cores da alegria e do tamanho que os corredores de nossa instituição estavam merecendo. E não é que ainda teve quem cometesse a audácia de mencionar se tratar de “vandalismo” !? “Oxente seu doutor, respeite Januário”, diria o Gonzagão, “respeite os oito baixos do seu pai!” ou ainda “respeite a polícia!”.

Não precisamos de um milagre, apenas que reine a alegria do forró e do baião e que a arte de Luiz Gonzaga e do grafite ocupem as mentes dos nossos doutores, levando-os a pesquisar sobre o verdadeiro significado de palavras simples como vandalismo, arte, democracia, respeito, ética, moralidade e honra.
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